segunda-feira, 9 de abril de 2012


“O passado não está morto e enterrado. Na verdade, ele nem mesmo é passado.”
William Faulkner
 
A citação de Faulkner como epígrafe é uma verdade quase absoluta.
 
A história de cada um vai se desenhando, moldando, desenrolando, acomodando, inquietando, embrulhando, percorrendo caminhos que não se encerram, é impossível afirmar uma rigidez incondicional do passado, as coisas são um ir e vir sem fim, assim disse dona Orídia.
 
“Não existe passado; existem sim, vivências. Algumas com grande serventia outras nem tanto, mas nem por isso deixam de povoar as reminiscências até mesmo definir nossa existência”. Frase faulkneriana de dona Orídia.
 
A contemporaneidade do passado prova que ele não passa, ao contrário permanece. Logo, o passado é presente no futuro.

 Todos aqueles que passaram por mim, pela minha vida, meu pai, minha mãe, meu sobrinho, mesmo mortos ainda estão comigo. Vivos, tão vivos que é possível falar com eles, aproximar, visualizar, se afastar. Outros que passaram e por uma razão ou outra no momento estão distantes, também se fazem presentes. Somos nós e as nossas lembranças – memória viva. Que podem ser boas, más ou nem tanto.
 
 Na verdade, os sentimentos de tristeza, os conflitos, as euforias, o amor, as perdas, entre outras, vão polindo nossa história, às vezes poluindo e temos facilidade de registrar as coisas ruins, assim lutamos para que elas passem logo e depressa se torne passado, no entanto armazenamos cada momento o que é fundamental enquanto a vida dura.
 
 A vontade do vento, as flores formando tapetes no chão, os cactos com suas defesas, a lua e suas fases, a correnteza das águas, o pingo que cai da chuva ou dos olhos são experiências fugazes que se eternizam conforme a memória; tudo pode vir à tona a qualquer momento e isso faz parte da imagem do homem.


2 comentários:

  1. que lindo! É isto mesmo que acontece na vida.Voce soube descrever tudo com muita propriedade.

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