quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tô viva!

Outra vida, vida após a morte, céu, inferno, juízo final, ressurreição. Não creio.
Dona Orídia já dizia coisa mais certa da vida: Morte. Tá vivo, viveu, morreu acabou.
A ciência tenta produzir antídotos que sugerem a imortalidade do corpo e da mente, a morte deixará de cumprir o seu papel, o fim de uma das maiores buscas do homem, para esse tempo precisamos nos preparar para uma vida completamente diferente, lembramos que a longevidade já chegou, contudo teremos séculos para nós acostumar com essa eternidade.
O que acredito mesmo é que o homem se torna imortal pela sua história, por seu legado, pelo que conseguiu propagar, seja bom ou ruim, sua marca é sua vida eterna.
A sua história e seus feitos podem ser mundialmente conhecidos ou apenas entes queridos guardam na memória. A nossa vida continua no que transmitimos e deixamos de bom ou de mal.
A arte é um grande meio de se fazer história, escrever, cantar, representar, pintar, dançar, o esporte também é, nadar, jogar, correr... Tudo isso tem imortalizado muitas pessoas ao longo dos tempos.
Já nós pobres mortais sem capa, coroa, herança, patrimônio, talento ou coisa que o valha, narramos nossa história, forjando as intempéries, cada dia na dureza do sol, no crepúsculo ou na penumbra da noite, ano após ano e assim mesmo ainda conseguimos atravessar incólumes, e permanecer vivos, seja durante a existência ou na passagem dessa. Menos pior, parodiando Joselino Barbacena, Ai meu Jesus cristinho! Tomara que não me descubram aqui.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dos meus falo eu


Durante todos os anos que minha mãe sobreviveu doente, acamada, alguns amigos e parentes nossos e dela se fizeram presentes para alegrar os seus dias de sufoco, pois ela passava todos os dias e todas as noites abafada; acometida de enfisema  e até mesmo embolia pulmonar, com isso os seus pulmões perderam grandes áreas de oxigenação do sangue, o que ocasionou graves alterações do funcionamento do seu organismo por falta de oxigênio, visto que apenas 20% trabalhavam com a ajuda de aparelhos; tudo isso acontecendo mesmo depois de décadas que parou de fumar, mas fumou desde a tenra idade até os seus 40 anos. Ainda assim, ela gostava de participar de tudo à sua volta, queria saber como todos estavam, palpitava, dava pitacos na vida de cada um de seus filhos, pois dizia: “dos meus falo eu”.
Minha mãe levantava doente, todos os dias fazia café, às vezes, quando não estava muito ruim, até pão de queijo, cuidava das roupas, do almoço, não gostava de ficar parada, quando não conseguia sair da cama fazia suas leituras de jornais, palavra cruzadas e caça palavras; assistia TV os “seus menininhos: Zezé e Luciano”, brincava com suas netas e seu bisneto.
Não atrapalhava ninguém, não considerávamos estorvo, aliás, com os parcos recursos que possuímos tentamos a todo custo prolongar a sua estadia aqui, com a qualidade de vida que conseguíamos garantir, o que hoje podemos considerar como egoísmo, pois, naquele momento a gente só pensava na gente mesmo, a queríamos viva a todo custo ao nosso lado, a gente só pensava em adiar a data da sua ida para que ficássemos bem e acreditávamos que ela igualmente queria. E assim vivemos alguns anos, uma semana no hospital três em casa, quatro semanas no hospital... No início muitas visitas, entes queridos, depois com tantas idas e vidas as visitas foram se espaçando. Éramos seis, presentes e rentes, cada um a sua forma e na sua condição.
Hoje, depois de quatro anos de seu falecimento percebemos que como ela dizia “Nasceu, se vive. Morreu, acabou!”, é uma meia verdade, pois pra nós ela continua tão viva como antes, para os outros quando a vida cessa a memória se esvai, ausência de presença carência de essência, será? Talvez finados ajude lembrar.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O sonho não acaba.

“Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender” ...        - Chico Buarque
"Sim, o sonho! Sim, a quimera! Sim, a ilusão! Sem os sonhos, sem as quimeras, sem as ilusões, a vida não tem sentido e não oferece interesse. A utopia é o principio de todo progresso. Sem as utopias de outrora, os homens viveriam ainda miseráveis e nus nas cavernas. Foram os utopistas que traçaram as linhas da primeira cidade... Dos sonhos generosos, nascem as realidades benéficas..."                                                                  -Anatole France

“Sonho com o dia em que a justiça correrá como água e a retidão como um caudaloso rio."
 - Martin Luther King

O sonho segundo a wikipedia,  é uma experiência que possui significados distintos se for ampliado um debate que envolva religião, ciência e cultura. Para a ciência, é uma experiência de imaginação do inconsciente durante nosso período de sono. Recentemente, descobriu-se que até os bebês no útero têm sono REM (movimentos rápidos dos olhos) e sonham, mas não se sabe com o quê. Em diversas tradições culturais e religiosas, o sonho aparece revestido de poderes premonitórios ou até mesmo de uma expansão da consciência, então  quando dorminos , todos temos sonhos. Mas e o sonho de mudar o mundo? Cada pessoa em sua época tem o seu.
E ainda, o sonho significa associação de imagens, frequentemente desconexas ou confusas, que se formam no “espírito” da pessoa enquanto dorme. Pode ser também ilusão, fantasia, devaneio, utopia, coisa vã, fútil, idéia acalentada, ideal, desejo, visão sobrenatural ou algo tão extraordinário que é difícil acreditar.

Certa feita dona Orídia disse os sonhos são um vir a ser de realidade e eles devem ser maturados com muitos sóis e muitas luas, tal qual uma fruta espera a chuva para nascer e tornar se madura, nós com a possibilidade dos sonhos, nos tornamos sensatos, experientes, vividos e é por isso que os sonhos não morrem eles renascem; os sonhos são planos que devem sempre ser vivificados, devemos e muito, sonhar, ressonhar, trisonhar...
Sobre os maus sonhos ou pesadelo, melhor seguir os conselhos de Dona Orídia: Pra que preocupar com esse tipo de sonho, pois, já tive tantos sonhos marvilhosos e eles nunca se realizaram. Porque realizaria só os maus? Falou e disse, não é mesmo?

Então, muitos como John Lennon,  disseram o sonho acabou. É verdade aquele sonho acabou, ou melhor, o sonho daquele acabou. Mas outros sonhos e outros seres orvalhados de sonhos hão de vir e a esperança se renova.





quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Vai que...


O tempo passa, o tempo voa... Estamos no final de setembro, logo, logo já tem papai Noel gritando Ho, ho ho! E eu não sei como cheguei até aqui.
Nada a declarar. O ano passou incólume, a não ser por uma ou outra gripe que peguei, algumas picadas de insetos... Mas nada. Êta aninho sem graça! Há, me lembrei: O Andrey chegou ao mundo, ao meu mundo e ao mundo de uma dúzia de pessoas, foi motivo de grande felicidade e valeu o ano! Tudo pode mudar se encontrarmos uma motivação.
Como falava dona Oridia “Não há mal que sempre dure nem bem que sempre perdure e ainda, tenha habilidade, determinação/motivação e atitude para viver. Aproveite a vida, pois ela é sua.” Poucos dos que receberam conseguem dar sequencia a esses ensinamentos, muito menos eu, apenas lembro, pois o que seria do homem se não fosse a capacidade de armazenar dados, talvez sirva, não é mesmo? Um tio de dona Orídia dizia “Não atires fora o que hoje não lhe serviu.”
A motivação (do Latim moveres, mover) motivo + ação - palavra muito desgastada nos últimos tempos-  pode ser mínima mas é ela que  faz você levantar todos os dias, alguns chamam isso de fé, convicção, outros de crença eu chamo de vontade(desejo, necessidade). Pode ser vontade de ver a lua, de comer uma picanha, tomar um choop, encontrar amigos, ouvir um irmão, executar um projeto, realizar um trabalho, beijar sobrinhos, tomar banho, brigar, gritar...
Nada a declarar, foi assim que iniciei, não é mesmo? No entanto, assumi que já vivenciei nesse ano coisas que são dignas de anúncio, incoerência? Não, a lógica da contradição.
Por via das dúvidas já lavei as meias e os sapatos e coloquei-os juntinhos aos pés da cama, vai que...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sobre o vento.


“Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento
Vento que dá na vela
Vela que leva o barco
Barco que leva a gente
Gente que leva o peixe
Peixe que dá dinheiro...” 
-  Dorival Caymmi
Dizem que a transição entre inverno e primavera provoca as variações de pressão, causada também pelas diferenças de temperatura promovem os ventos fortes nessa época do ano. Tempo seco, pele áspera, boca e nariz “trincados” cabelos “duros” e despenteados.
Sabemos desde o tempo do fundamental que o vento nada mais é do que o ar em movimento. Movemos-nos o tempo todo na tentativa de aerar a vida, procurando torná-la mais calma e menos ventania, por vezes conseguimos que ela seja brisa. O vento balança a vida.
 “Vento, ventania
Me leve para
As bordas do céu
Pois vou puxar
As barbas de Deus...
Vento, ventania
Me leve para
Os quatro cantos do mundo
Me leve prá qualquer lugar
Hum! Me deixe cavalgar
Nos seus desatinos
Nas revoadas
Redemoinhos...
Vento, ventania
Me leve sem destino
Quero mover
As pás dos moinhos
E abrandar o calor do sol
Quero emaranhar
O cabelo da menina
Mandar meus beijos pelo ar...”    -  Biquini Cavadão
Dona Orídia em situação de anfitriã sempre dizia “Que bons ventos te trazem?” segundo ela o vento servia quase sempre para conduzir boas novas, arrebatadoras ou causar. Desde àquela época dona Orídia já sabia provocar, desencadear, causar no sentido literal da palavra (causava como ela só). Até mesmo em adversidades, tribulações, redemoinhos e furacões o vento que inicialmente pode assustar logo ele transforma, pois segundo dona Orídia "O que o vento traz, o vento leva" e só deixa o cheiro e a necessidade de mudança.    
 “Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...”     -  Renato Russo


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Como Sobrevivi aos 27?

                                                        By Tammy
"Quando nasci, um anjo torto, desses que vivem na sombra, disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida"
                                                                                                              - Carlos Drummond de Andrade.
Gauche é uma palavra francesa - pronuncia-se “goxe” - que significa esquerdo, mas também serve para designar o desajeitado, estranho,...
Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim”                 - Chico Buarque


E vem cumprindo a profecia de dona Orídia “Pau que nasce torto morre torto". Será que estamos predestinados a viver até a morte como supostamente nascemos? Nasceu torto, vive e morre torto. “Essa menina é do avesso desde que nasceu!” e Caetano ajuda a interpretar “Aprende depressa a chamar-te de realidade, porque és o avesso do avesso do avesso do avesso.”
Onde estava quando fiz 27 anos?
Naquela época as forças armadas dos Estados Unidos começam as operações militares da Guerra do Golfo em território iraquiano; dá-se o fim da Guerra Fria; o Soviete Supremo dissolve a URSS. O Presidente do Brasil era Fernando Collor -PRN - Vice: Itamar Franco; O Governador de Goiás: Iris Resende Machado e o Prefeito de Goiânia: Nion Albernaz. A soja transgênica (modificada geneticamente) começa a ser comercializada; Ayrton Senna conquista o tri-campeonato na Fórmula I; Usava All Stars, assistia o dono do mundo,  Smurfs, He-Man, She-Ra, Pokémon, Tartarugas Ninja, Os Simpsons, Os Trapalhões, Carga Pesada, Show da Xuxa, Domingão do Faustão, Rockgol, Casseta e Planeta, Sai de Baixo, Aqui e Agora, Programa do Ratinho, Castelo Rá-tim-bum. Fui ao cinema ví Dança com lobos e observei a morte de Freddy Mercury, líder do grupo musical Queen, vítima da AIDS. No Brasil começa a 2ª Edição do festival musical Rock in Rio. Eu e todos estávamos ouvindo Prince, Michael Jackson, Madonna, Jamiroquai, Ozzy Osbourne, Bon Jovi, Peter Gabriel, Bryan Ferry, David Bowie, U2, Swing da cor com Daniela Mercury, Grand' Hotel do Kid Abelha e os abóboras Selvagens, Legião Urbana V, Trac-Trac e Tendo a Lua com os Paralamas do Sucesso, chamava o síndico com Jorge Benjor, Marisa monte beijava eu,  Zezé de Camargo e Luciano gritava aos quatros cantos que É o amor, Marina Lima e eu esperavámos e ainda esperamos:
Acontecimentos
Composição: Marina Lima/Antonio Cicero
Eu espero
Acontecimentos
Só que quando anoitece
É festa no outro apartamento
Todo amor
Vale o quanto brilha
E aí
Algo mudou? Alguma coisa acontece no meu coração...

E Léo Jaime ainda diz:
“Ela me dá um beijo na testa
E quer que eu tenha um dia legal
Mas se quiser eu posso ver nas ruas
Senhores, escravos, nada é real
Todo mundo me diz: bom dia
Todo dia sempre igual
Crianças pedem nas janelas do carro
Até nas noites de Natal
Ou, ou, ou, ou nada mudou   
Ou, ou, ou, ou, ou, ou.”

Ou

Jimi Hendrix, Jim Morrison, Kurt Cobain, Janis Joplin, Robert Johnson e mais recentemente Amy Winehouse: todos morreram com exatos 27 anos. Como Sobrevivi aos 27?
Não sou super star é por isso resisti aos 27, Não tive fama, dinheiro nem sucesso, portanto não tive acesso fácil a drogas, mesmo vivenciando situação de sentença unilateral: de nunca me endireitar, não fui assediada por esse mundo de sexo, drogas e rock'n'roll, falta de oportunidades, o que pode resultar em algo bom, se é que se pode considerar positivo passar pelos 27 e não experienciar certas situações.
Mesmo assim Dona Oridia matuta e ecoa o que não tem remédio, remediado está, menina você não tem jeito mesmo, vai buscar uma vara de goiaba! Isso também deve, e muito, ter contribuído para a minha sobrevivência.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pedra movediça não junta musgo

"Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim. sim ,sim."
        

"Quando o inverno chegar
Eu quero estar junto a ti."

Inverno, tempo de tédio, de prisão, de introspecção,
ou de aconchego, de busca de aquecimento...
E ele chegou, parece que será rigoroso. O inverno é a estação mais úmida,
os musgos tornam se comuns, são encontrados em pedras, paredes,em vasos,
em muros úmidos.         

Dizem que existe um fenômeno geológico misterioso, no Estado da Califórnia,
No Parque Nacional do Vale da Morte, pedras se movem de forma inexplicável.

Então, mesmo as pedras de até ou mais de 400 quilos movimentam-se
para direções as mais diferentes. Muitas teorias procuram explicar a causa.
Força dos ventos, forças magnéticas, mas o certo é que nem mesmo as pedras
conseguem ficar paradas por grandes temporadas.
Mora ai o segredo dos aficionados por mudanças, os nômades, dos quais
carrego comigo uma “invejazinha” boa. Mas mesmo assim, por via das dúvidas
iniciei  a campanha rolam as pedras do meu caminho.

Em um outro post, dona Orídia dizia que nada podemos esperar das mudanças
visto que toda ela é pra pior, determinista e pragmática, no entanto
contraditória diante do que articulou tempos depois, pedra movediça não junta musgo.
Sinal de coerência com a vida, penso, repenso, reflito e pronuncio, poço de práxis.
É que mora dentro de mim uma dialética.
“Rolam as pedras, devem rolar”
O velho Nahim  é que afirmava: Caranguejo é que anda pra trás e eu só vou
daqui pra frente, ademán, de leve...

 Like A Rolling Stone.
I can't get no
Satisfaction
I can't get no
Satisfaction
And I try
And I try
And I try
And I try
I can't get no
Satisfaction
I can't get no
Satisfaction.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Aqui tem história!


Viver o tempo presente passou a ser imperativo. O que aconteceu hoje pela manhã parece ter atravessado uma eternidade. A nossa memória recente (do que aconteceu ou apresentou vários minutos ou horas antes) está enfraquecida, acredito que pelo excesso de informações, assim nossa capacidade de adquirir e reter novos dados está comprometida e a memória remota passa a comandar as ações do agora, visto que quando estas foram armazenadas, as gavetas do cérebro estavam meio que vazias e puderam se acomodar tranquilamente, livres da poluição, dos ruídos, traças, do aparecimento de problemas de memória da atualidade. Mas isso são suposições e conjecturas de um ser que é do século passado, como Cora Coralina: Venho do século passado e trago comigo todas as idades.   
Mas, mais uma vez dona Orídia me ampara não vivo no passado, ele é que vive em mim. Penso ainda que, aí da pessoa que se esquece do seu passado, pois está fadada a viver um presente comprometido e fatalmente um futuro arranhado. Mesmo que o passado não tenha fornecido elementos dignos de nota, a memória gravou e é essa a sua história, bonita, edificante, virtuosa, triste, indigna. A história da sua vida pode ter sido escrita com dureza, mas o rigor ou rudeza facultou o aprendizado para a sabedoria da superação (na maioria das vezes), além de proporcionar caminhos para que não se passe pelos mesmos erros.
Olhar pelo retrovisor é apertar a tecla replay do nosso controle remoto interno para retroceder a cena, não para refazer a cena passada, mas para apurar a cena atual, a isso damos o nome de história.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sobrevivendo

É o tempo não pára, e Cazuza disse:
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta.

Sei não, se não fica arranhões depois de algumas contendas. O certo é que os conflitos existem e na maioria das vezes são salutares, a natureza humana é diversa e “diferenciada” (lembrou de pessoas diferenciadas de Higienópolis no Rio de Janeiro?)  são nos conflitos advindos dessa diversidade que aprendemos a viver. Dona Orídia afirmava: Os arranhões ficam, mas cicatrizam; até mesmo as cicatrizes deixam ensinamentos e ainda, muitas vezes as controvérsias podem ser vantajosos para ambos os lados de um conflito. Lembrando que os “atritos” e ”ruídos” que aparecem em qualquer forma de relacionamento humano, devem ser administrados e não evitados. Mas é senso comum de que temos que nos calar em qualquer situação de discussão, fugir dos debates e esconder de qualquer tipo de luta para não enfrentarmos os dissabores.

Dona Orídia como boa descendente do Pedro Leandro, é que estava certa dou um boi para não entrar em uma briga, mas uma boiada para não sair dela. E o litígio fica armado, consequências sempre aparecem, mas o bom mesmo é a demanda e todo esforço é envidado para que ela exista ad eternum, vivendo e não deixando de aprender.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Não há nada que água e sabão não lave a não ser sujeira de caráter.

Não há nada que água e sabão não lave a não ser sujeira de caráter.
Dona Orídia do alto do batente de sua janela observa tudo, observa o mundo, o seu e o de todos que na frente do esquadro da janela passasse, analisava, ponderava e considerava, sendo que suas avaliações nem sempre apresentavam resultados satisfatórios, nunca omitia seus pareceres mesmo que o cidadão/ã não se interessasse pelo resultado.
Cansada de brincar e brigar na rua, soltando papagaio e correndo de bicicletas emprestadas, não eram duas ou uma vez que chegava em casa com toda a sujeira do mundo no corpo, e dona Orídia logo dizia: rápido pro banho você ainda tem salvação a sua sujeira ainda é visível e recuperável, pois não há nada que água e sabão não consiga limpar, menos sujeira de caráter, essa imundice é interna e prá essa, o conserto são outros quinhentos.
Esse preceito tem acompanhado quase todos os que conheceram dona Orídia e é por isso que Esses sofrem as penas da gralha, mas não é por qualquer mil e quinhentos que irão chafurdar na lama.
Não sei se vale ou valeu à pena seguir esse princípio basilar, o certo é que a fome pode bater na porta, mas a integridade da formação moral continua intacta, afinal regra são regras como diria Maryana.

terça-feira, 7 de junho de 2011

"O que me mata é essa minha ideologia!"

 Mundo vasto mundo! Variações sobre o mesmo tema. E você que queria mudar o mundo, onde foi parar sua coragem? Só você vê,  os outros não enxergam. Quão é difícil possuir olhos de ver.
 É bem verdade que ainda não pendurei minhas chuteiras, mas já estou quase jogando a toalha, chega de chutar o pau da barraca. Cansei agora tanto faz  a água correr para o mar ou estagnar, virar lagoa, se isso acontecer vou querer criar pato, tatu, cutia não.
 A vida toda procurei seguir uma linha seja de pensamento, política ou pedagógica, mas prá quê se a minha linha não levanta a pipa em nenhuma situação? Sempre só e a vida vai seguindo... Eu e minhas doutrinas como disse dona Orídia “O que me mata é essa minha ideologia!”