Alguém sentiu falta da Dona Orídia?
É desde criancinha que Dona Orídia descobriu esse enigma da vida:
Ninguém faz falta.
Mas, ela voltou, meio que alquebrada, “sem fôlego”, mas com a mesma verve.
Passou esses dias vivenciando um misto de alegria,
sensação de ter acertado, jogado na milhar e compartilhado a cachoeira de
prêmios com o povo goiano, a recompensa parece ser indescritível e até mesmo
indizível. Mas, outro sentimento tem lhe afligido: a percepção que é impotente
e faz parte de uma massa tão débil quanto ela, tem olhos e não vê, ouvidos e
não ouve, boca que fala, mas não reverbera, tudo entregue ao planalto com as
ambrosias, todavia, negociações à parte, os resultados até o momento, tem sido
compensatórios e parece que os ventos estão favoráveis.
“Será só
imaginação? Será que nada vai acontecer? Será que é tudo isso em vão? Será que
vamos conseguir vencer?”
Dona Orídia em suas horas de folga, repouso mesmo
(de pé), pois ela nunca descansava, fazia suas palavras cruzadas, assistia Zezé
e Luciano (pois não se contentava em só ouvir) e improvisava alguns trocadilhos
que eram inequívocos (no mínimo estranho, não?) era mais ou menos assim:
Acerca das palavras e seus contrapontos de essência
(sem nenhuma explicação racional apenas sentimento):
Sol: masculina
Lua: feminina
Dia: masculina
Noite: feminina
Amor-masculina
Liberdade-feminina
Casamento-masculina
Ternura-feminina
Sexo-masculina
Sensação-feminina
Religião: masculina
Fé: feminina
Dinheiro: masculina
Troca: feminina
Lucro: masculina
Vantagem: feminina
Solidão: masculina
Saudade: feminina
Entre outras.


