“O passado não está morto e enterrado.
Na verdade, ele nem mesmo é passado.”
William Faulkner
A citação de Faulkner como epígrafe é
uma verdade quase absoluta.
A história de cada um vai se desenhando,
moldando, desenrolando, acomodando, inquietando, embrulhando, percorrendo
caminhos que não se encerram, é impossível afirmar uma rigidez incondicional do
passado, as coisas são um ir e vir sem fim, assim disse dona Orídia.
“Não existe passado; existem sim,
vivências. Algumas com grande serventia outras nem tanto, mas nem por isso
deixam de povoar as reminiscências até mesmo definir nossa existência”. Frase
faulkneriana de dona Orídia.
A contemporaneidade do passado prova que
ele não passa, ao contrário permanece. Logo, o passado é presente no futuro.
Todos aqueles que passaram por mim, pela
minha vida, meu pai, minha mãe, meu sobrinho, mesmo mortos ainda estão comigo.
Vivos, tão vivos que é possível falar com eles, aproximar, visualizar, se
afastar. Outros que passaram e por uma razão ou outra no momento estão
distantes, também se fazem presentes. Somos nós e as nossas lembranças –
memória viva. Que podem ser boas, más ou nem tanto.
Na
verdade, os sentimentos de tristeza, os conflitos, as euforias, o amor, as
perdas, entre outras, vão polindo nossa história, às vezes poluindo e temos
facilidade de registrar as coisas ruins, assim lutamos para que elas passem
logo e depressa se torne passado, no entanto armazenamos cada momento o que é
fundamental enquanto a vida dura.
A
vontade do vento, as flores formando tapetes no chão, os cactos com suas
defesas, a lua e suas fases, a correnteza das águas, o pingo que cai da chuva
ou dos olhos são experiências fugazes que se eternizam conforme a memória; tudo
pode vir à tona a qualquer momento e isso faz parte da imagem do homem.


que lindo! É isto mesmo que acontece na vida.Voce soube descrever tudo com muita propriedade.
ResponderExcluirObrigada Onofra.
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