segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pedra movediça não junta musgo

"Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim. sim ,sim."
        

"Quando o inverno chegar
Eu quero estar junto a ti."

Inverno, tempo de tédio, de prisão, de introspecção,
ou de aconchego, de busca de aquecimento...
E ele chegou, parece que será rigoroso. O inverno é a estação mais úmida,
os musgos tornam se comuns, são encontrados em pedras, paredes,em vasos,
em muros úmidos.         

Dizem que existe um fenômeno geológico misterioso, no Estado da Califórnia,
No Parque Nacional do Vale da Morte, pedras se movem de forma inexplicável.

Então, mesmo as pedras de até ou mais de 400 quilos movimentam-se
para direções as mais diferentes. Muitas teorias procuram explicar a causa.
Força dos ventos, forças magnéticas, mas o certo é que nem mesmo as pedras
conseguem ficar paradas por grandes temporadas.
Mora ai o segredo dos aficionados por mudanças, os nômades, dos quais
carrego comigo uma “invejazinha” boa. Mas mesmo assim, por via das dúvidas
iniciei  a campanha rolam as pedras do meu caminho.

Em um outro post, dona Orídia dizia que nada podemos esperar das mudanças
visto que toda ela é pra pior, determinista e pragmática, no entanto
contraditória diante do que articulou tempos depois, pedra movediça não junta musgo.
Sinal de coerência com a vida, penso, repenso, reflito e pronuncio, poço de práxis.
É que mora dentro de mim uma dialética.
“Rolam as pedras, devem rolar”
O velho Nahim  é que afirmava: Caranguejo é que anda pra trás e eu só vou
daqui pra frente, ademán, de leve...

 Like A Rolling Stone.
I can't get no
Satisfaction
I can't get no
Satisfaction
And I try
And I try
And I try
And I try
I can't get no
Satisfaction
I can't get no
Satisfaction.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Aqui tem história!


Viver o tempo presente passou a ser imperativo. O que aconteceu hoje pela manhã parece ter atravessado uma eternidade. A nossa memória recente (do que aconteceu ou apresentou vários minutos ou horas antes) está enfraquecida, acredito que pelo excesso de informações, assim nossa capacidade de adquirir e reter novos dados está comprometida e a memória remota passa a comandar as ações do agora, visto que quando estas foram armazenadas, as gavetas do cérebro estavam meio que vazias e puderam se acomodar tranquilamente, livres da poluição, dos ruídos, traças, do aparecimento de problemas de memória da atualidade. Mas isso são suposições e conjecturas de um ser que é do século passado, como Cora Coralina: Venho do século passado e trago comigo todas as idades.   
Mas, mais uma vez dona Orídia me ampara não vivo no passado, ele é que vive em mim. Penso ainda que, aí da pessoa que se esquece do seu passado, pois está fadada a viver um presente comprometido e fatalmente um futuro arranhado. Mesmo que o passado não tenha fornecido elementos dignos de nota, a memória gravou e é essa a sua história, bonita, edificante, virtuosa, triste, indigna. A história da sua vida pode ter sido escrita com dureza, mas o rigor ou rudeza facultou o aprendizado para a sabedoria da superação (na maioria das vezes), além de proporcionar caminhos para que não se passe pelos mesmos erros.
Olhar pelo retrovisor é apertar a tecla replay do nosso controle remoto interno para retroceder a cena, não para refazer a cena passada, mas para apurar a cena atual, a isso damos o nome de história.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sobrevivendo

É o tempo não pára, e Cazuza disse:
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta.

Sei não, se não fica arranhões depois de algumas contendas. O certo é que os conflitos existem e na maioria das vezes são salutares, a natureza humana é diversa e “diferenciada” (lembrou de pessoas diferenciadas de Higienópolis no Rio de Janeiro?)  são nos conflitos advindos dessa diversidade que aprendemos a viver. Dona Orídia afirmava: Os arranhões ficam, mas cicatrizam; até mesmo as cicatrizes deixam ensinamentos e ainda, muitas vezes as controvérsias podem ser vantajosos para ambos os lados de um conflito. Lembrando que os “atritos” e ”ruídos” que aparecem em qualquer forma de relacionamento humano, devem ser administrados e não evitados. Mas é senso comum de que temos que nos calar em qualquer situação de discussão, fugir dos debates e esconder de qualquer tipo de luta para não enfrentarmos os dissabores.

Dona Orídia como boa descendente do Pedro Leandro, é que estava certa dou um boi para não entrar em uma briga, mas uma boiada para não sair dela. E o litígio fica armado, consequências sempre aparecem, mas o bom mesmo é a demanda e todo esforço é envidado para que ela exista ad eternum, vivendo e não deixando de aprender.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Não há nada que água e sabão não lave a não ser sujeira de caráter.

Não há nada que água e sabão não lave a não ser sujeira de caráter.
Dona Orídia do alto do batente de sua janela observa tudo, observa o mundo, o seu e o de todos que na frente do esquadro da janela passasse, analisava, ponderava e considerava, sendo que suas avaliações nem sempre apresentavam resultados satisfatórios, nunca omitia seus pareceres mesmo que o cidadão/ã não se interessasse pelo resultado.
Cansada de brincar e brigar na rua, soltando papagaio e correndo de bicicletas emprestadas, não eram duas ou uma vez que chegava em casa com toda a sujeira do mundo no corpo, e dona Orídia logo dizia: rápido pro banho você ainda tem salvação a sua sujeira ainda é visível e recuperável, pois não há nada que água e sabão não consiga limpar, menos sujeira de caráter, essa imundice é interna e prá essa, o conserto são outros quinhentos.
Esse preceito tem acompanhado quase todos os que conheceram dona Orídia e é por isso que Esses sofrem as penas da gralha, mas não é por qualquer mil e quinhentos que irão chafurdar na lama.
Não sei se vale ou valeu à pena seguir esse princípio basilar, o certo é que a fome pode bater na porta, mas a integridade da formação moral continua intacta, afinal regra são regras como diria Maryana.

terça-feira, 7 de junho de 2011

"O que me mata é essa minha ideologia!"

 Mundo vasto mundo! Variações sobre o mesmo tema. E você que queria mudar o mundo, onde foi parar sua coragem? Só você vê,  os outros não enxergam. Quão é difícil possuir olhos de ver.
 É bem verdade que ainda não pendurei minhas chuteiras, mas já estou quase jogando a toalha, chega de chutar o pau da barraca. Cansei agora tanto faz  a água correr para o mar ou estagnar, virar lagoa, se isso acontecer vou querer criar pato, tatu, cutia não.
 A vida toda procurei seguir uma linha seja de pensamento, política ou pedagógica, mas prá quê se a minha linha não levanta a pipa em nenhuma situação? Sempre só e a vida vai seguindo... Eu e minhas doutrinas como disse dona Orídia “O que me mata é essa minha ideologia!”

sábado, 4 de junho de 2011

“Morreu, o nosso amor morreu. Antes ele do que eu.”

“Morreu, o nosso amor morreu. Antes ele do que eu.”

É a vida tem dessas coisas veja só, nos tempos de calmaria... Nem percebemos a trama se armar para a entrada da turbulência, ficamos desatentos e até mesmo negligentes e somos pegos de calças curtas, indefesos e eis que chegam as atribulações, como não tínhamos preparação prévia, não houve treinamento, como na maioria das vivências humanas, rodamos, e vamos engolindo água, ar em demasia e sapos pelo caminho, custamos parar em pé. Eretos tentando não dobrar nem à custa da curvatura da vara, seguimos devagar, devagarinho...
Desde que o mundo é mundo, como diria Dona Orídia onde há duas pessoas reunidas uma está tentando convencer a outra de quê o que pensa é o certo, o que deve ser seguido, mas é aí que mora o perigo, o convencimento, umas fingem de convencidas, outras não se convencem jamais e algumas pensam que convenceram e as relações humanas vão seguindo séculos seclorios e não avançam. Passamos décadas, anos, meses com uma pessoa, reforçamos os laços de amizade, fazemos juras, nos comprometemos e não as conhecemos, “poucas são as escolhidas”, pouquíssimas as que confirmam as expectativas iniciais e Dona Orídia acerta mais uma vez, “Morreu, o nosso amor morreu. Antes ele do que eu.” Grande!

quinta-feira, 2 de junho de 2011





“A vida é como água de bica, passa, mas alguma gota fica.”



                  A única certeza que temos é a da morte, salvo alguns estudos científicos que relatam a falibilidade dessa afirmação, dizem que o homem está próximo de vencer a famigerada morte; nem sei dizer se isso pode ser bom, mas o certo é que bem disse Gilberto Gil “O melhor lugar do mundo é aqui e agora”. Então pra quê esperar ou só se fiar no amanhã?
                 Uma das máximas do capitalismo é acumular, acumular, introjetamos tanto que acumulamos até sapato velho, gordura e nessa ânsia de amontoar ficamos sem tempo e espaço para o hoje, não que eu seja imediatista, mesmo sendo, mas que a vontade de guardar é tanta que deixamos pra rir amanhã, chorar só em momentos especiais, reclamar só quando não dá mais...
                “A vida é aqui e é como água de bica, passa, mas alguma gota fica” assim disse dona Orídia, razões para dar o seu crédito nisso penso que Ela tinha, pois o meu pretexto para confiar nessa máxima é apenas esse: Durante toda a sua vida o que ela mais acreditou foi nisso e em Santo Antônio, mas o último é outra longa história.