sexta-feira, 13 de abril de 2012

Meu reino

Dona Orídia, mulher introvertida, de poucas amizades, porém com grandes amigos, no alto de sua janela, tudo observava: a saída dos ônibus, taxi, das crianças para a escola, as partidas, pois do portal/batente de sua janela de duas folhas era mais fácil ver as idas do que as vindas, no interior todos estão indo embora a qualquer momento e as chegadas... Regresso dos que partiram por longos anos, dos que foram ontem ou hoje mesmo, retorno dos que nunca foram, estavam ali mesmo.

Mas, o que dona Orídia fazia mesmo era vigiar sua casa, o seu lar, o lugar que se guardava e guardava seus filhos, seus filmes, seus discos e nada mais; vigiava qual cão de guarda, como se fosse uma pastora ou contadora, creditava as entradas e debitava as saídas. Como era difícil sair daquela casa, ela mesma nunca saía. Talvez não saia para não trazer nada de fora: violência, dúvida, decepção, desconfiança, perversão, mentira, hipocrisia...
Trancada no seu mundo, preservava seus sapatos, suas roupas, conservava o sabor e o tempero dos alimentos e refletia sua imagem que se multiplicou em seis espelhos, hoje treze (número da sorte).
Meu reino é minha casa, nela eu chego à noite alquebrada das lides diárias, corpo e mente altamente afetada, mas logo as sensações de missão cumprida e de conforto brotam o que se pode afirmar que certo início de euforia surge.
Esse reino é atemporal, embora ele exista de fato na passagem da noite para a madrugada-mudança de dia, não tem tempo nem hora ruins, existe um pacto firmado: as noticias que por lá passam devem sempre ser boas ou vir com bons presságios. Até parece que certa origem árabe influenciou nessa relação com a casa, são poucos os escolhidos, a mim não interessa ver os vizinhos e muito menos que eles me veja. Completude. Abrir a porta...
Será que Dona Orídia tinha um pé nas arábias?

segunda-feira, 9 de abril de 2012


“O passado não está morto e enterrado. Na verdade, ele nem mesmo é passado.”
William Faulkner
 
A citação de Faulkner como epígrafe é uma verdade quase absoluta.
 
A história de cada um vai se desenhando, moldando, desenrolando, acomodando, inquietando, embrulhando, percorrendo caminhos que não se encerram, é impossível afirmar uma rigidez incondicional do passado, as coisas são um ir e vir sem fim, assim disse dona Orídia.
 
“Não existe passado; existem sim, vivências. Algumas com grande serventia outras nem tanto, mas nem por isso deixam de povoar as reminiscências até mesmo definir nossa existência”. Frase faulkneriana de dona Orídia.
 
A contemporaneidade do passado prova que ele não passa, ao contrário permanece. Logo, o passado é presente no futuro.

 Todos aqueles que passaram por mim, pela minha vida, meu pai, minha mãe, meu sobrinho, mesmo mortos ainda estão comigo. Vivos, tão vivos que é possível falar com eles, aproximar, visualizar, se afastar. Outros que passaram e por uma razão ou outra no momento estão distantes, também se fazem presentes. Somos nós e as nossas lembranças – memória viva. Que podem ser boas, más ou nem tanto.
 
 Na verdade, os sentimentos de tristeza, os conflitos, as euforias, o amor, as perdas, entre outras, vão polindo nossa história, às vezes poluindo e temos facilidade de registrar as coisas ruins, assim lutamos para que elas passem logo e depressa se torne passado, no entanto armazenamos cada momento o que é fundamental enquanto a vida dura.
 
 A vontade do vento, as flores formando tapetes no chão, os cactos com suas defesas, a lua e suas fases, a correnteza das águas, o pingo que cai da chuva ou dos olhos são experiências fugazes que se eternizam conforme a memória; tudo pode vir à tona a qualquer momento e isso faz parte da imagem do homem.


sexta-feira, 30 de março de 2012

Será?



Alguém sentiu falta da Dona Orídia?

É desde criancinha que Dona Orídia descobriu esse enigma da vida: Ninguém faz falta.

Mas, ela voltou, meio que alquebrada, “sem fôlego”, mas com a mesma verve.

Passou esses dias vivenciando um misto de alegria, sensação de ter acertado, jogado na milhar e compartilhado a cachoeira de prêmios com o povo goiano, a recompensa parece ser indescritível e até mesmo indizível. Mas, outro sentimento tem lhe afligido: a percepção que é impotente e faz parte de uma massa tão débil quanto ela, tem olhos e não vê, ouvidos e não ouve, boca que fala, mas não reverbera, tudo entregue ao planalto com as ambrosias, todavia, negociações à parte, os resultados até o momento, tem sido compensatórios e parece que os ventos estão favoráveis.

“Será só imaginação? Será que nada vai acontecer? Será que é tudo isso em vão? Será que vamos conseguir vencer?”
 
Dona Orídia em suas horas de folga, repouso mesmo (de pé), pois ela nunca descansava, fazia suas palavras cruzadas, assistia Zezé e Luciano (pois não se contentava em só ouvir) e improvisava alguns trocadilhos que eram inequívocos (no mínimo estranho, não?) era mais ou menos assim:
 
Acerca das palavras e seus contrapontos de essência (sem nenhuma explicação racional apenas sentimento):

Sol: masculina

Lua: feminina

Dia: masculina

Noite: feminina

Amor-masculina

Liberdade-feminina

Casamento-masculina

Ternura-feminina

Sexo-masculina

Sensação-feminina

Religião: masculina

Fé: feminina

Dinheiro: masculina

Troca: feminina

Lucro: masculina

Vantagem: feminina

Solidão: masculina

Saudade: feminina

Entre outras.



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tô viva!

Outra vida, vida após a morte, céu, inferno, juízo final, ressurreição. Não creio.
Dona Orídia já dizia coisa mais certa da vida: Morte. Tá vivo, viveu, morreu acabou.
A ciência tenta produzir antídotos que sugerem a imortalidade do corpo e da mente, a morte deixará de cumprir o seu papel, o fim de uma das maiores buscas do homem, para esse tempo precisamos nos preparar para uma vida completamente diferente, lembramos que a longevidade já chegou, contudo teremos séculos para nós acostumar com essa eternidade.
O que acredito mesmo é que o homem se torna imortal pela sua história, por seu legado, pelo que conseguiu propagar, seja bom ou ruim, sua marca é sua vida eterna.
A sua história e seus feitos podem ser mundialmente conhecidos ou apenas entes queridos guardam na memória. A nossa vida continua no que transmitimos e deixamos de bom ou de mal.
A arte é um grande meio de se fazer história, escrever, cantar, representar, pintar, dançar, o esporte também é, nadar, jogar, correr... Tudo isso tem imortalizado muitas pessoas ao longo dos tempos.
Já nós pobres mortais sem capa, coroa, herança, patrimônio, talento ou coisa que o valha, narramos nossa história, forjando as intempéries, cada dia na dureza do sol, no crepúsculo ou na penumbra da noite, ano após ano e assim mesmo ainda conseguimos atravessar incólumes, e permanecer vivos, seja durante a existência ou na passagem dessa. Menos pior, parodiando Joselino Barbacena, Ai meu Jesus cristinho! Tomara que não me descubram aqui.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dos meus falo eu


Durante todos os anos que minha mãe sobreviveu doente, acamada, alguns amigos e parentes nossos e dela se fizeram presentes para alegrar os seus dias de sufoco, pois ela passava todos os dias e todas as noites abafada; acometida de enfisema  e até mesmo embolia pulmonar, com isso os seus pulmões perderam grandes áreas de oxigenação do sangue, o que ocasionou graves alterações do funcionamento do seu organismo por falta de oxigênio, visto que apenas 20% trabalhavam com a ajuda de aparelhos; tudo isso acontecendo mesmo depois de décadas que parou de fumar, mas fumou desde a tenra idade até os seus 40 anos. Ainda assim, ela gostava de participar de tudo à sua volta, queria saber como todos estavam, palpitava, dava pitacos na vida de cada um de seus filhos, pois dizia: “dos meus falo eu”.
Minha mãe levantava doente, todos os dias fazia café, às vezes, quando não estava muito ruim, até pão de queijo, cuidava das roupas, do almoço, não gostava de ficar parada, quando não conseguia sair da cama fazia suas leituras de jornais, palavra cruzadas e caça palavras; assistia TV os “seus menininhos: Zezé e Luciano”, brincava com suas netas e seu bisneto.
Não atrapalhava ninguém, não considerávamos estorvo, aliás, com os parcos recursos que possuímos tentamos a todo custo prolongar a sua estadia aqui, com a qualidade de vida que conseguíamos garantir, o que hoje podemos considerar como egoísmo, pois, naquele momento a gente só pensava na gente mesmo, a queríamos viva a todo custo ao nosso lado, a gente só pensava em adiar a data da sua ida para que ficássemos bem e acreditávamos que ela igualmente queria. E assim vivemos alguns anos, uma semana no hospital três em casa, quatro semanas no hospital... No início muitas visitas, entes queridos, depois com tantas idas e vidas as visitas foram se espaçando. Éramos seis, presentes e rentes, cada um a sua forma e na sua condição.
Hoje, depois de quatro anos de seu falecimento percebemos que como ela dizia “Nasceu, se vive. Morreu, acabou!”, é uma meia verdade, pois pra nós ela continua tão viva como antes, para os outros quando a vida cessa a memória se esvai, ausência de presença carência de essência, será? Talvez finados ajude lembrar.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O sonho não acaba.

“Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender” ...        - Chico Buarque
"Sim, o sonho! Sim, a quimera! Sim, a ilusão! Sem os sonhos, sem as quimeras, sem as ilusões, a vida não tem sentido e não oferece interesse. A utopia é o principio de todo progresso. Sem as utopias de outrora, os homens viveriam ainda miseráveis e nus nas cavernas. Foram os utopistas que traçaram as linhas da primeira cidade... Dos sonhos generosos, nascem as realidades benéficas..."                                                                  -Anatole France

“Sonho com o dia em que a justiça correrá como água e a retidão como um caudaloso rio."
 - Martin Luther King

O sonho segundo a wikipedia,  é uma experiência que possui significados distintos se for ampliado um debate que envolva religião, ciência e cultura. Para a ciência, é uma experiência de imaginação do inconsciente durante nosso período de sono. Recentemente, descobriu-se que até os bebês no útero têm sono REM (movimentos rápidos dos olhos) e sonham, mas não se sabe com o quê. Em diversas tradições culturais e religiosas, o sonho aparece revestido de poderes premonitórios ou até mesmo de uma expansão da consciência, então  quando dorminos , todos temos sonhos. Mas e o sonho de mudar o mundo? Cada pessoa em sua época tem o seu.
E ainda, o sonho significa associação de imagens, frequentemente desconexas ou confusas, que se formam no “espírito” da pessoa enquanto dorme. Pode ser também ilusão, fantasia, devaneio, utopia, coisa vã, fútil, idéia acalentada, ideal, desejo, visão sobrenatural ou algo tão extraordinário que é difícil acreditar.

Certa feita dona Orídia disse os sonhos são um vir a ser de realidade e eles devem ser maturados com muitos sóis e muitas luas, tal qual uma fruta espera a chuva para nascer e tornar se madura, nós com a possibilidade dos sonhos, nos tornamos sensatos, experientes, vividos e é por isso que os sonhos não morrem eles renascem; os sonhos são planos que devem sempre ser vivificados, devemos e muito, sonhar, ressonhar, trisonhar...
Sobre os maus sonhos ou pesadelo, melhor seguir os conselhos de Dona Orídia: Pra que preocupar com esse tipo de sonho, pois, já tive tantos sonhos marvilhosos e eles nunca se realizaram. Porque realizaria só os maus? Falou e disse, não é mesmo?

Então, muitos como John Lennon,  disseram o sonho acabou. É verdade aquele sonho acabou, ou melhor, o sonho daquele acabou. Mas outros sonhos e outros seres orvalhados de sonhos hão de vir e a esperança se renova.





quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Vai que...


O tempo passa, o tempo voa... Estamos no final de setembro, logo, logo já tem papai Noel gritando Ho, ho ho! E eu não sei como cheguei até aqui.
Nada a declarar. O ano passou incólume, a não ser por uma ou outra gripe que peguei, algumas picadas de insetos... Mas nada. Êta aninho sem graça! Há, me lembrei: O Andrey chegou ao mundo, ao meu mundo e ao mundo de uma dúzia de pessoas, foi motivo de grande felicidade e valeu o ano! Tudo pode mudar se encontrarmos uma motivação.
Como falava dona Oridia “Não há mal que sempre dure nem bem que sempre perdure e ainda, tenha habilidade, determinação/motivação e atitude para viver. Aproveite a vida, pois ela é sua.” Poucos dos que receberam conseguem dar sequencia a esses ensinamentos, muito menos eu, apenas lembro, pois o que seria do homem se não fosse a capacidade de armazenar dados, talvez sirva, não é mesmo? Um tio de dona Orídia dizia “Não atires fora o que hoje não lhe serviu.”
A motivação (do Latim moveres, mover) motivo + ação - palavra muito desgastada nos últimos tempos-  pode ser mínima mas é ela que  faz você levantar todos os dias, alguns chamam isso de fé, convicção, outros de crença eu chamo de vontade(desejo, necessidade). Pode ser vontade de ver a lua, de comer uma picanha, tomar um choop, encontrar amigos, ouvir um irmão, executar um projeto, realizar um trabalho, beijar sobrinhos, tomar banho, brigar, gritar...
Nada a declarar, foi assim que iniciei, não é mesmo? No entanto, assumi que já vivenciei nesse ano coisas que são dignas de anúncio, incoerência? Não, a lógica da contradição.
Por via das dúvidas já lavei as meias e os sapatos e coloquei-os juntinhos aos pés da cama, vai que...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sobre o vento.


“Vamos chamar o vento
Vamos chamar o vento
Vento que dá na vela
Vela que leva o barco
Barco que leva a gente
Gente que leva o peixe
Peixe que dá dinheiro...” 
-  Dorival Caymmi
Dizem que a transição entre inverno e primavera provoca as variações de pressão, causada também pelas diferenças de temperatura promovem os ventos fortes nessa época do ano. Tempo seco, pele áspera, boca e nariz “trincados” cabelos “duros” e despenteados.
Sabemos desde o tempo do fundamental que o vento nada mais é do que o ar em movimento. Movemos-nos o tempo todo na tentativa de aerar a vida, procurando torná-la mais calma e menos ventania, por vezes conseguimos que ela seja brisa. O vento balança a vida.
 “Vento, ventania
Me leve para
As bordas do céu
Pois vou puxar
As barbas de Deus...
Vento, ventania
Me leve para
Os quatro cantos do mundo
Me leve prá qualquer lugar
Hum! Me deixe cavalgar
Nos seus desatinos
Nas revoadas
Redemoinhos...
Vento, ventania
Me leve sem destino
Quero mover
As pás dos moinhos
E abrandar o calor do sol
Quero emaranhar
O cabelo da menina
Mandar meus beijos pelo ar...”    -  Biquini Cavadão
Dona Orídia em situação de anfitriã sempre dizia “Que bons ventos te trazem?” segundo ela o vento servia quase sempre para conduzir boas novas, arrebatadoras ou causar. Desde àquela época dona Orídia já sabia provocar, desencadear, causar no sentido literal da palavra (causava como ela só). Até mesmo em adversidades, tribulações, redemoinhos e furacões o vento que inicialmente pode assustar logo ele transforma, pois segundo dona Orídia "O que o vento traz, o vento leva" e só deixa o cheiro e a necessidade de mudança.    
 “Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...”     -  Renato Russo


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Como Sobrevivi aos 27?

                                                        By Tammy
"Quando nasci, um anjo torto, desses que vivem na sombra, disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida"
                                                                                                              - Carlos Drummond de Andrade.
Gauche é uma palavra francesa - pronuncia-se “goxe” - que significa esquerdo, mas também serve para designar o desajeitado, estranho,...
Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim”                 - Chico Buarque


E vem cumprindo a profecia de dona Orídia “Pau que nasce torto morre torto". Será que estamos predestinados a viver até a morte como supostamente nascemos? Nasceu torto, vive e morre torto. “Essa menina é do avesso desde que nasceu!” e Caetano ajuda a interpretar “Aprende depressa a chamar-te de realidade, porque és o avesso do avesso do avesso do avesso.”
Onde estava quando fiz 27 anos?
Naquela época as forças armadas dos Estados Unidos começam as operações militares da Guerra do Golfo em território iraquiano; dá-se o fim da Guerra Fria; o Soviete Supremo dissolve a URSS. O Presidente do Brasil era Fernando Collor -PRN - Vice: Itamar Franco; O Governador de Goiás: Iris Resende Machado e o Prefeito de Goiânia: Nion Albernaz. A soja transgênica (modificada geneticamente) começa a ser comercializada; Ayrton Senna conquista o tri-campeonato na Fórmula I; Usava All Stars, assistia o dono do mundo,  Smurfs, He-Man, She-Ra, Pokémon, Tartarugas Ninja, Os Simpsons, Os Trapalhões, Carga Pesada, Show da Xuxa, Domingão do Faustão, Rockgol, Casseta e Planeta, Sai de Baixo, Aqui e Agora, Programa do Ratinho, Castelo Rá-tim-bum. Fui ao cinema ví Dança com lobos e observei a morte de Freddy Mercury, líder do grupo musical Queen, vítima da AIDS. No Brasil começa a 2ª Edição do festival musical Rock in Rio. Eu e todos estávamos ouvindo Prince, Michael Jackson, Madonna, Jamiroquai, Ozzy Osbourne, Bon Jovi, Peter Gabriel, Bryan Ferry, David Bowie, U2, Swing da cor com Daniela Mercury, Grand' Hotel do Kid Abelha e os abóboras Selvagens, Legião Urbana V, Trac-Trac e Tendo a Lua com os Paralamas do Sucesso, chamava o síndico com Jorge Benjor, Marisa monte beijava eu,  Zezé de Camargo e Luciano gritava aos quatros cantos que É o amor, Marina Lima e eu esperavámos e ainda esperamos:
Acontecimentos
Composição: Marina Lima/Antonio Cicero
Eu espero
Acontecimentos
Só que quando anoitece
É festa no outro apartamento
Todo amor
Vale o quanto brilha
E aí
Algo mudou? Alguma coisa acontece no meu coração...

E Léo Jaime ainda diz:
“Ela me dá um beijo na testa
E quer que eu tenha um dia legal
Mas se quiser eu posso ver nas ruas
Senhores, escravos, nada é real
Todo mundo me diz: bom dia
Todo dia sempre igual
Crianças pedem nas janelas do carro
Até nas noites de Natal
Ou, ou, ou, ou nada mudou   
Ou, ou, ou, ou, ou, ou.”

Ou

Jimi Hendrix, Jim Morrison, Kurt Cobain, Janis Joplin, Robert Johnson e mais recentemente Amy Winehouse: todos morreram com exatos 27 anos. Como Sobrevivi aos 27?
Não sou super star é por isso resisti aos 27, Não tive fama, dinheiro nem sucesso, portanto não tive acesso fácil a drogas, mesmo vivenciando situação de sentença unilateral: de nunca me endireitar, não fui assediada por esse mundo de sexo, drogas e rock'n'roll, falta de oportunidades, o que pode resultar em algo bom, se é que se pode considerar positivo passar pelos 27 e não experienciar certas situações.
Mesmo assim Dona Oridia matuta e ecoa o que não tem remédio, remediado está, menina você não tem jeito mesmo, vai buscar uma vara de goiaba! Isso também deve, e muito, ter contribuído para a minha sobrevivência.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pedra movediça não junta musgo

"Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim. sim ,sim."
        

"Quando o inverno chegar
Eu quero estar junto a ti."

Inverno, tempo de tédio, de prisão, de introspecção,
ou de aconchego, de busca de aquecimento...
E ele chegou, parece que será rigoroso. O inverno é a estação mais úmida,
os musgos tornam se comuns, são encontrados em pedras, paredes,em vasos,
em muros úmidos.         

Dizem que existe um fenômeno geológico misterioso, no Estado da Califórnia,
No Parque Nacional do Vale da Morte, pedras se movem de forma inexplicável.

Então, mesmo as pedras de até ou mais de 400 quilos movimentam-se
para direções as mais diferentes. Muitas teorias procuram explicar a causa.
Força dos ventos, forças magnéticas, mas o certo é que nem mesmo as pedras
conseguem ficar paradas por grandes temporadas.
Mora ai o segredo dos aficionados por mudanças, os nômades, dos quais
carrego comigo uma “invejazinha” boa. Mas mesmo assim, por via das dúvidas
iniciei  a campanha rolam as pedras do meu caminho.

Em um outro post, dona Orídia dizia que nada podemos esperar das mudanças
visto que toda ela é pra pior, determinista e pragmática, no entanto
contraditória diante do que articulou tempos depois, pedra movediça não junta musgo.
Sinal de coerência com a vida, penso, repenso, reflito e pronuncio, poço de práxis.
É que mora dentro de mim uma dialética.
“Rolam as pedras, devem rolar”
O velho Nahim  é que afirmava: Caranguejo é que anda pra trás e eu só vou
daqui pra frente, ademán, de leve...

 Like A Rolling Stone.
I can't get no
Satisfaction
I can't get no
Satisfaction
And I try
And I try
And I try
And I try
I can't get no
Satisfaction
I can't get no
Satisfaction.