Outra vida, vida após a morte, céu, inferno, juízo final, ressurreição. Não creio.
Dona Orídia já dizia coisa mais certa da vida: Morte. Tá vivo, viveu, morreu acabou.
A ciência tenta produzir antídotos que sugerem a imortalidade do corpo e da mente, a morte deixará de cumprir o seu papel, o fim de uma das maiores buscas do homem, para esse tempo precisamos nos preparar para uma vida completamente diferente, lembramos que a longevidade já chegou, contudo teremos séculos para nós acostumar com essa eternidade.
O que acredito mesmo é que o homem se torna imortal pela sua história, por seu legado, pelo que conseguiu propagar, seja bom ou ruim, sua marca é sua vida eterna.
A sua história e seus feitos podem ser mundialmente conhecidos ou apenas entes queridos guardam na memória. A nossa vida continua no que transmitimos e deixamos de bom ou de mal.
A arte é um grande meio de se fazer história, escrever, cantar, representar, pintar, dançar, o esporte também é, nadar, jogar, correr... Tudo isso tem imortalizado muitas pessoas ao longo dos tempos.
Já nós pobres mortais sem capa, coroa, herança, patrimônio, talento ou coisa que o valha, narramos nossa história, forjando as intempéries, cada dia na dureza do sol, no crepúsculo ou na penumbra da noite, ano após ano e assim mesmo ainda conseguimos atravessar incólumes, e permanecer vivos, seja durante a existência ou na passagem dessa. Menos pior, parodiando Joselino Barbacena, Ai meu Jesus cristinho! Tomara que não me descubram aqui.

