Viver o tempo presente passou a ser imperativo. O que aconteceu hoje pela manhã parece ter atravessado uma eternidade. A nossa memória recente (do que aconteceu ou apresentou vários minutos ou horas antes) está enfraquecida, acredito que pelo excesso de informações, assim nossa capacidade de adquirir e reter novos dados está comprometida e a memória remota passa a comandar as ações do agora, visto que quando estas foram armazenadas, as gavetas do cérebro estavam meio que vazias e puderam se acomodar tranquilamente, livres da poluição, dos ruídos, traças, do aparecimento de problemas de memória da atualidade. Mas isso são suposições e conjecturas de um ser que é do século passado, como Cora Coralina: Venho do século passado e trago comigo todas as idades.
Mas, mais uma vez dona Orídia me ampara não vivo no passado, ele é que vive em mim. Penso ainda que, aí da pessoa que se esquece do seu passado, pois está fadada a viver um presente comprometido e fatalmente um futuro arranhado. Mesmo que o passado não tenha fornecido elementos dignos de nota, a memória gravou e é essa a sua história, bonita, edificante, virtuosa, triste, indigna. A história da sua vida pode ter sido escrita com dureza, mas o rigor ou rudeza facultou o aprendizado para a sabedoria da superação (na maioria das vezes), além de proporcionar caminhos para que não se passe pelos mesmos erros.
Olhar pelo retrovisor é apertar a tecla replay do nosso controle remoto interno para retroceder a cena, não para refazer a cena passada, mas para apurar a cena atual, a isso damos o nome de história.
Hê vida de gado, povo marcado, povo feliz!
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